terça-feira, julho 19, 2005

uma nova elite para Portugal

Não me é facil compreender como só agora os nossos iluminados políticos , analistas , empresários e jornalistas descobriram o que qualquer Português minimamente esclarecido já denunciava , sentia e adivinhava pelo andar da carruagem .
Anos sucessivos de governação pouco séria sem a minima responsabilidade e consciência dos efeitos a longo prazo e escolhendo invariavelmente o caminho mais fácil, a demagogia , governando tendo como alvo a reeleição e o manter do tacho, anos a fio de falsas promessas, a prometer o impossivel de ter , de criação de expectativas acima das nossas possibilidades, anos de tentar satisfazer desejos para os quais não havia meios, a dar o que não é nosso, a gastar o que se não tem nem se ganhou ,a contribuir por solidariedade carunchosa para os novos Países saídos da nossa exemplar descolonização sem qualquer tipo de contrapartida, a esbanjar dinheiro numa maquina do Estado cada vez mais inoperacional e numerosa em efectivos humanos , pagando reformas e pensões milionárias a duzias de políticos parasitas que as acomulam com vencimentos milionários , dando emprego em lugares de gestão , de chefia e responsabilidade, no Estado e empresas motoras da nossa economia, a milhares de incompetentes só por serem da mesma cor política , fazendo vários estadios de futebol de luxo e outros milhares de obras inuteis mas autopromocionais , em vez de escolas e hospitais , deixaram como herança aos nossos filhos, dividas externas astronómicas , compromissos insuportáveis e um País em falência anunciada .
Em minha opinião, o que falta ao nosso País , é toda uma elite política, intelectual , moral , empresarial e financeira , de base Patriota e Nacionalista.
As elites fazem parte integrante do tecido social de uma Nação, estando muito mal a Pátria que não as tiver
O desenvolvimento exige a formação de elites, intelectuais, profissionais, morais , sendo a educação , por isso , uma condição base do referido desenvolvimento
"Todos os conteúdos do desenvolvimento exigem agentes qualificados, um conjunto de valores éticos e comportamentos sociais que só podem emergir na liberdade e têm de ser cultivados na escola." ( A. C. Grayling.)
A independência dos Estados, hoje mais do que nunca, está ligada ao reconhecimento e à valorização da única matéria-prima de que todas as nações dispõem: a inteligência e educação dos seus cidadãos.
As deficiências do nosso Estado , deficiências de organização, de educação, de formação, de cultura, de produtividade e rendimento , são fonte de desequilíbrio , de frustração , falta de confiança e motivação e leva á degradação ética das elites.
Em teoria, as elites servem para dirigir , é a elite que organiza e inspira. A existencia de elites não é para tornar o povo mais fraco ou submisso, mas para lhe servir de exemplo e de mola impulsionadora .
A base de todo o problema , o fulcro da doença , é a falta de uma verdadeira elite Portuguesa . O que por cá existe e chamamos elite não o é no verdadeiro sentido e não cumpre os seus deveres. Ao se tornar parasitária e predadora , complacente , ao colaborar na demagogia e cultivar a ignorancia , ao usar o Estado e a sua máquina como um bem próprio adquirido para servir os seus proprios interesses e como seu financiador privado , esta elite de "tias" , de capa de revista da fofoca , da exibição dos pergaminhos da tolice, snobes, altaneiras , profissionais das festas e do exibicionismo, é antes que tudo e acima de tudo anti-patriota e destabilizadora .
Só uma nova elite criada e educada no amor á Pátria e nos valores fundamentais poderá inverter esta amarga realidade . A sua criação tem de partir do seio da família , desenvolvida na educação civica e escolar , de um trabalho de cepa conjunto e com a cooresponsabilização do Estado .
O mérito tem de ser instigado e recompensado. Quem mais trabalha igualmente deve ser valorizado . A seleção tem que ser feita analisando rankings de escolas , medindo e comparando o aproveitamento individual dos alunos , deixando uma vez por todas de aceitar e promover a mediocridade e irresponsabilidade .
Não existe contradição entre a formação de elites e um ensino de qualidade para todos , antes pelo contrario . Só um ensino geral de qualidade permite através do destaque da capacidade individual , do mérito , da competência e do carácter, a revelação e selecção de um estrato de elite digno desse nome, com acesso e capacidade a uma formação superior mais exigente.
Será dentro desta nova geração a forjar , que se conseguirá uma nova classe de dirigentes , de tecido empresarial , intelectual e social , com outra visão , bem preparados para o desafio , autoconfiantes , capazes e Patriotas , com sentido de Estado , uma elite orgulhosa de si e de ser Portuguesa , em que se acredite e a quem se poderá entregar e confiar os destinos e o futuro da Nação .