terça-feira, julho 05, 2005

energia electrica , que futuro ?

Com o anuncio do empresário Patrick Monteiro de Barros ( de quem eu nunca tinha ouvida falar até hoje ) de que um grupo de empresários Portugueses estaria a equacionar a construção de uma central nuclear em Portugal com recursos a fundos exclusivamente privados , renasceram as “vozes” dos que estão de acordo e dos que se mantêm agarrados ao slogan do “nuclear, não obrigado “ , estes últimos sem saberem bem porquê , que não seja um irracional medo do fantasma Chernobyl .
Num País como o nosso com uma dependência energética quase total , não só pela importação de electricidade já produzida da vizinha Espanha e França como de combustíveis para a produzir , este anuncio devia ser recebido quase como uma bênção , já que para variar a falta de coragem dos nossos políticos e governantes de tocar em assuntos “proibidos” pelo politicamente correcto tolda-lhes a capacidade de raciocínio na resolução dos grandes problemas Nacionais .
Portugal tem urânio , o único combustível para produção de energia eléctrica em que somos totalmente independentes, sendo assim lógica a utilização de energia nuclear . Sob a designação de energia nuclear incluem-se, na linguagem corrente, diversos tipos de técnicas que utilizam fenómenos físicos em que estão em jogo transformações nos núcleos atómicos , neste caso do urânio. Nestas transformações libertam-se grandes quantidades de energia termica , vulgo calor, que é utilizado para produzir vapor de agua que por sua vez vai impulsionar geradores para a produção de electricidade. As fontes de energia que mantêm o Universo , são as reacções nucleares no seio das estrelas , por isso por muito que custe engolir a alguns vivemos diariamente e totalmente dependentes da energia nuclear .
Esquecem-se os mais detractores do nuclear que grande percentagem da energia eléctrica que consumimos é de origem nuclear importada de Espanha e França e que temos várias centrais mesmo á nossa porta que no caso remoto de qualquer problema de segurança nos afectaria como se no nosso pátio estivesse ? Sabem que das várias centrais existentes em Espanha temos uma localizada no rio Tejo bem perto da nossa fronteira junto á autoestrada Lisboa/Madrid? Resumindo , se acham que é arriscado o uso do nuclear, lembrem-se que corremos o risco de igual maneira mas ainda temos de pagar a electricidade a peso de ouro á vizinha Espanha. A grande diferença seria só uma : Em vez de estarem as centrais localizadas do lado de lá da fronteira , estariam do lado de cá ,o que aliado a sermos produtores de urânio contribuiria para a nossa independência e reduziria largamente a nossa dependência externa pois não teríamos de empenhar na compra de combustíveis nem comprar electricidade a outro país produzindo-a nós mesmos com todas as vantagens económicas dai inerentes , e já agora , não correríamos o risco de termos hipotecada a nossa liberdade energética e económica a Espanha , pois em caso de divergências , só tinham desligar o interruptor e o nosso País tinha um apagão dos bons e ficava totalmente paralisado . Já imaginaram o cenário ? Se numa altura destas de seca como a actual os vizinhos espanhóis para manter as reservas deles de agua nos rios comuns não têm pejo em fechar as descargas das barragens situadas no seu país mantendo as suas reservas nos máximos das capacidades , pouco se importando com os nossos problemas de falta de agua , duvidam que em caso de salvaguarda teriam algum pudor em nos deixar ás escuras ? Não duvidem nem um bocadinho !

Esquecem-se igualmente que toda a técnica e tecnologia desde a construção das
primeiras centrais nucleares evoluiu a par da evolução de todo o resto nestes últimos cinquenta anos desde a”idade da pedra” do nuclear . Quando se fala em riscos , fala-se essencialmente no risco de acidente aliado ás primeiras centrais construídas , a primeira geração delas, em que nasceram centrais como cogumelos por todo o mundo sem que se conhecessem ainda as reais medidas de segurança necessárias e os processos de produção tão arcaicos que qualquer pessoa leiga mas curiosa sobre o assunto nem acredita como tenham sido tão poucos os acidentes que nos chegaram ao conhecimento .
O risco actual do nuclear na produção de electricidade não está em construir centrais actuais de terceira geração, mas sim nestas “velhas” centrais que alguns países , pela dependência a elas criada na produção de energia fundamental , teimam em manter em funcionamento , embora se diga em abono da verdade que as centrais verdadeiramente “problemáticas” estão praticamente todas já desactivadas .
Por exemplo a Finlândia , país que como todos sabemos pertence ao núcleo mais “ecologista” do planeta , fez recentemente um pedido à UE para construção de uma central nuclear de terceira geração .
Como sempre , os detractores agarram-se á ideia que , em substituição dos recursos finitos , petróleo e principalmente carvão, o uso e aproveitamento das energias ditas naturais , vento , sol e marés (já que temos de começar a esquecer as hidroeléctricas pois Deus queira que a santa da aguinha dos nossos rios chegue e dure para nos a podermos beber num futuro próximo) , seriam o futuro . Por falar em agua potavel , com as prespectivas negras futuras para nossos recursos hidricos ,mantendo-se a evolução actual das coisas , não se pode por de lado a hipótese de ser a breve trecho necessário avançar para a desalinização de agua do mar para consumo , processo que requer elevadíssimos consumos de energia e que ao preço que esta nos fica actualmente , o litro de agua potavel produzido seria quase incomportavel tornando a agua em artigo de luxo só ao alcance de alguns .
Ninguém duvida que as energias limpas e inesgotáveis são o sonho lindo da humanidade , só que temos de ser realistas . Estas energias são ainda extremamente caras de utilizar e transformar o que as torna incomportaveis nos volumes de produção necessários para as necessidades do País .
Pedro Sampaio Nunes, ex-secretário de Estado da Ciência e Inovação que já desempenhou o cargo de director geral para as energias convencionais na Comissão Europeia, desenvolveu um estudo muito sério de comparação entre o custo actual do Megawatt (MW) de electricidade proveniente de cada uma das fontes, eólica, solar térmica, fotovoltaica, biocombustíveis, hidrogénio e fusão nuclear, tendo em conta a economia de carbono e os mecanismos previstos no protocolo de Quioto, que agravam o preço da electricidade proveniente do carvão, do gás natural e do fuel-óleo. A conclusão não contestada saída deste estudo revela , sem margem de duvidas, que a energia nuclear é de longe a mais acessível economicamente e sem duvida a solução mais viável e vantajosa para Portugal.
Uma coisa é certa , se não tivermos uma tarifa reduzida para a electricidade, nunca poderemos competir internacionalmente ,nunca seremos totalmente independentes , pois tudo o que produzimos baseia-se no consumo de energia electrica pelo que esta é um componente maior dos custos de produção da nossa industria .