segunda-feira, julho 25, 2005

a ajuda económica a África

Há anos a fio que milhões de euros e dolares, milhares de toneladas de alimentos e outros bens são canalizados para áfrica em nome de uma ajuda económica para combate á fome, á doença e á miséria generalizada por todo o continente africano , incluindo os países saídos da exemplar descolonização Portuguesa.
Grande parte destes fundos nunca chegam ás populações, invariavelmente acabando na mão de meia duzia de ditadores em contas pessoais na Suiça , usados para estes comprarem armas , financiarem os seus exercitos privados para manter o poder, comprarem propriedades e bens nos próprios países que lhes enviaram as ajudas e a financiar a vida de reis dos filhos e familiares dos ditadores na Europa e EUA ,onde residem sob as mais variadas "capas" , incluindo no caso Português o tirar cursos superiores quase oferecidos nas nossas universidades estatais, ocupando dezenas de lugares em detrimento de jovens Portugueses que bem mais se esforçaram e com bem melhores médias , mas que em nome da ajuda paternalista esquerdista para eles são reservados .
É uma hipocrisia a toda a prova o facto de se deixar muitas pessoas no próprio País na miséria ,com fome, no desemprego , sem casas , com reformas miseráveis ao fim de uma vida de trabalho e descontos de impostos, que muitas vezes nem para pagar a comparticipação nos medicamentos que necessitam chegam quanto mais para comer e pagar agua e luz , e usar o dinheiro dos nossos impostos para mandar para esses governantes ,ladrões de colarinho branco, verbas astronómicas que vão direitinhas enriquecer os bolsos desses caciques corruptos que se estão "marimbando" para o próprio povo e se riem nas nossas costas da nossa estupidez.
Toda a política de ajuda internacional é uma hipócrisia pegada. Sempre fui de opinião, como diz o velho provérbio, que se queremos ajudar verdadeiramente alguém com fome, não lhe devemos oferecer peixe , mas sim ajuda-lo a fazer uma cana de pesca e ensina-lo a pescar .
Os europeus , com muito Português á mistura , gostam de pensar que sem a sua ajuda África não sobreviveria. Essa certeza reconforta as boas almas atormentadas pelo remorso colonial ( remorsos de quê? ), ao mesmo tempo que eleva a auto-estima de quem sofre as consequências de uma crise económica sem fim à vista.
No passado 06/07/2005 , na revista Alemã "Der Spiegel" , sob o título "Pelo amor de Deus, parem de ajudar a África!", um africano , especialista em economia e profundo conhecedor das realidades africanas, James Shikwati, do Quénia, afirma numa entrevista ao jornalista de Hamburgo Thilo Thielke que a ajuda internacional só alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, que destrói e acaba com a produção agrícola e industrial e causa desemprego, consequentemente criando mais miséria e mais dependência.
Afirma este africano lúcido que a ajuda ao continente africano é mais prejudicial que benéfica , realçou os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, falou sobre governantes corruptos e a tendência de exagerar por interesse o já por si grave problema da Sida . Burocracias gigantescas e inoperacionais são financiadas com o dinheiro da ajuda dos países ocidentais. A corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprenderam a ser mendigos, e tornam-se parasitas e dependentes. Além disso, a ajuda ao desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito empreendedor que é fundamental em qualquer sociedade dando origem a que os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão actualmente em pior situação.
Por mais absurdo que á primeira vista possa parecer, a ajuda ao desenvolvimento é uma das principais causas dos problemas da África. Se o Ocidente cancelasse esses pagamentos, o povo ,os africanos comuns, nem sequer perceberiam. Somente os funcionários públicos e dos programas de ajuda o sentiriam e seriam atingidos.
Ao serem obrigados a encontrar sozinhos as soluções para os seus problemas, os africanos têm a possibilidade de recuperar a dignidade perdida e, eventualmente, a de abrir caminhos originais e novas soluções á sua escala e ao seu ritmo para evoluir.
Afirma Shikwati : Quando há uma seca numa região do Quénia, os políticos corruptos imediatamente pedem mais ajudas. O pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU, que é uma agência maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado, dedicarem-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome é eliminada.
É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais uma ajuda , e não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro ou alimento do que o governo africano solicitou originalmente. Eles encaminham esse pedido ao seu quartel-general, e em pouco tempo, se a ajuda for alimentar , milhares de toneladas de milho ou outro cereal são embarcadas para a África .Esse milho acaba em determinada altura num porto como por exemplo o de Mombasa. Uma parte do alimento em geral vai directamente para as mãos de políticos corruptos e sem escrupulos, que em primeira mão o distribuem na sua própria tribo para manter a lealdade tribal em alta e ajudar sua próxima campanha eleitoral. A outra parte da carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente baixos. Os agricultores locais podem guardar os arados; ninguém consegue concorrer com os preços de mercado ditados por esta concorrencia desleal originada pelo programa de alimentação da ONU. E como os agricultores cedem diante dessa pressão e deixam de semear , o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver uma seca e fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.
Se não existissem as ajudas, os Quenianos, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com outros Países africanos seus vizinhos , como o Uganda, Tanzânia , Moçambique, etc, para comprar-lhes alimentos. Esse tipo de comércio é vital para a África pois obrigaria a melhorar as infra-estruturas, enquanto tornaria mais permeáveis as fronteiras nacionais ,que , aliás, até foram artificialmente traçadas pelos europeus. Também os obrigaria a legislar a favor da economia de mercado e levaria a acordos internacionais que favorecessem o comércio e a circulação de bens .
A fome não deveria ser um problema na maioria dos países ao sul do Saara pois nestes países existem vastos recursos naturais como petróleo, ouro, diamantes.
Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a ajuda ao desenvolvimento. Será assim ? A África já existia antes das ajudas aparecerem.
Até a sida é um grande negócio, talvez o maior negócio da África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajudas quanto as fotografias das criancinhas e os números chocantes sobre a sida. Em Africa esta é em primeiro lugar uma doença política. Milhões de dólares e euros destinados ao combate à sida estão guardados em contas bancárias, nos próprios países e noutras partes do mundo, e não foram gastos naquilo a que se destinavam. Os governantes e políticos ficaram cheios de dinheiro, e continuam a desviar o máximo possível em proveito próprio .
O falecido tirano da República Centro Africana, Jean Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga por tudo no nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses,eles mandam , nós recebemos e então gastamos".
Todos os anos chegam ao Quénia e a outros países rios de dinheiro , alimentos e roupa usada doada por cidadãos Ocidentais que querem ajudar os africanos.
Shikwati pergunta : Porquê enviar para África essas montanhas de roupas e agasalhos ? Ninguém passa frio no clima africano! A quase totalidade dela não é entregue ao povo . Em vez disso aparece a preços irrisórios á venda nos chamados mercados Mitumba e por isso os costureiros tradicionais perdem o seu unico ganha-pão. Eles estão na mesma situação que os agricultores. Ninguém no mundo de baixos salários de África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo e os preços a que são vendidos os produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados africanos entram em colisão.
Quando inquirido sobre se uma retirada neste momento dos programas de ajuda internacionais não iria aumentar a miséria e o desemprego , o economista rematou :
A África precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve haver uma mudança de mentalidade. Teem de parar de se auto-considerar mendigos. Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas , como coitadinhos. Por outro lado, ninguém pode realmente imaginar um africano como um honesto e próspero homem de negócios. Para mudar a situação actual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.
É verdade que, se, ou quando o fizerem, muitos empregos serão imediatamente perdidos. Mas que empregos ? Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito bem pagos e como tal muito apreciados, e estas organizações são muito selectivas na escolha dos candidatos. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de pessoas se candidatam. Como é inaceitável que o motorista só fale a sua língua tribal, o candidato também deve falar Inglês , Português , Alemão ou Francês fluentemente, ser minimamente instruido , bem educado sobre o ponto de vista ocidental e ter boas maneiras. Então acaba-se com um jovem licenciado africano como motorista a conduzir o carro de um funcionário da ajuda, distribuindo comida Europeia e levando, como consequencia, os agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente surreal! Se se quer realmente combater a pobreza, deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a oportunidade de garantir por si mesma a sua subsistencia e sobrevivência. Actualmente a África é como uma criança que chora imediatamente quando há algo errado a pedir ajuda á Mãe ou ao Pai.
A África tem que erguer-se sobre os próprios pés.